sábado, 2 de fevereiro de 2013

Suaves brevidades.




Por às vezes me pego refletindo sobre as suavidades. Já parou pra pensar nelas?

Ficavam a onze passos para o Norte de onde você estiver, com tantas levezas que o vento leva tudo. As levezas se espalham, tomam conta, infiltram e integram. Suavidades fazem parte de quem cruza os seus caminhos.

Elas têm sorrisos entre palavras que não nos pertecem e que desafiamos, em meio a tardes na cama e manhãs no sofá. O tempo passa sonolento. Suavidades não. Sorrateiras, te ajudam a dormir pra ficarem acordadas, te olhando viajar pelas confusões de sonhos. E nessas horas sorriem também.

São sempre discretas. Com batons invisíveis e vestidos de flor, suavidades dançam sem serem vistas. Tímidas, são o que são sem nenhuma enganação. Suavidades são mais honestas que vó do interior.

Gulosas e com estômago de passarinho pro que não gostam. Mas se gostam é de sorvete. E não muda nada se é de pequi ou Maracujá & Manga da Haagen-dazs, elas devoram até gelo com sal. Na maior fineza, sua brutalidade popular máxima é uma rapadurinha boa..

Suavidades se perderam e por às vezes me pego pensando onde foram parar, naquela curiosidade sobre o que fez parte da sua vida e agora parece cada vez mais um lembrança apagada. Hum. Como uma fita K7, uma nostalgia boa e engraçadinha, mas que não se tem mais onde tocar. Fico pensando no tempo que faz anos, ou se era realmente suave como a lembrança marcou. Fico pensando.


*O texto acima é uma releitura de uma mensagem escrita em 2009.


Quem sou eu

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"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato/ O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço/ O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome/ O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas/ O amor comeu metros e metros de gravatas/ O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus? O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos/ O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão/ Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte" - Dos Três Mal-amados, Palavras de Joaquim - João Cabral de Melo Neto